domingo, 30 de junho de 2013

Estudo Descobre Alternativas de Reuso para o Lixo Têxtil

Um estudo na área de têxtil e moda verificou que a mistura de fibras descartadas e destinadas a virarem lixo a placas de resina aumenta a tenacidade e resistência desse material. A tese de mestrado de Welton Zonatti se dedica à reciclagem têxtil, aliada ao design, buscando uma forma de reaproveitar o grande volume de resíduos dispensados na produção de artigos de vestuário. Do luxo ao lixo têxtil: problemática urbana Os bairros do Bom Retiro e do Brás, em São Paulo, se destacam pela profusão de confecções e chegam a produzir juntos 26 toneladas de resíduo têxtil por dia. O descarte atualmente é regido pela política nacional de resíduos sólidos, de 2010, que realiza a gestão compartilhada de resíduos. Porém, “gestão compartilhada”, no caso, quer dizer que estes são recolhidos indiferenciadamente, não havendo política própria para o que resta dos tecidos. Há uma quantidade máxima permitida confecções podem depositar na calçada e, respeitando este limite, o poder público é obrigado a recolher o volume e se encarregar de seu destino – que, exceto por cerca de 1 tonelada (das 26 diárias) encaminhada para as recicladoras, é levado aos aterros sanitários junto com outros tipos de lixo. Agravando estre problema, muitos dos tecidos utilizados hoje no Brasil são importados de países asiáticos como China e Bangladesh, cuja política ambiental “permissiva” faz com que o produto possa conter quantidades altas de corantes tóxicos, passíveis de contaminar o solo quando depositado no aterro. Tendo em vista o volume significativo de despejos, as alternativas para um melhor gerenciamento desse material seriam investir em empresas de reciclagem, com maquinário expressivo para a produção de um novo fio a partir de um velho, que será reinserido na cadeia produtiva, orquestrar a logística de distribuição do lixo para as empresas e, também, fundamentalmente, a separação prévia do material pelos confeccionistas. Esta coleta é muito importante, uma vez que ao misturar os retalhos a outros tipos de resíduos orgânicos, as confecções responsáveis inviabilizam a reciclagem: é necessário que se saiba a composição exata das fibras, o ponto de fusão de cada uma ali presente, já que se misturadas e submetidas a processos com altas temperaturas, podem se fundir ou pegar fogo.
O experimento Na etapa experimental do estudo, o pesquisador se ateve à fibra de algodão, a mais consumida no Brasil – 70% dos artigos de vestuário produzidos são feitos desse material, sem contar que o país é o segundo maior produtor de denim (utilizado na confecção do jeans), feito exclusivamente dessa fibra – mas realizou também alguns testes com fibras de poliéster. Após verificar por meio de microscopia se as indicações do tecido correspondiam à sua composição real, isto é, se o que por exemplo é definido como “100% algodão” de fato contém 100% de algodão, resíduos de calça jeans e de chifon (trama feita de poliéster). Três diferentes resinas, epóxi, poliéster ortoftálico e poliuretano, foram misturadas a estas fibras, destino que diminuiria a quantidade de refugos têxteis nos aterros. As propriedades das placas de resina puras foram comparadas às das placas reforçadas com fibras.
O compósito – feito de pelo menos dois componentes, cujas características são uma combinação entre as da matriz e das fibras, além da interação entre ambas – resultante se tornou viável tanto do ponto de vista da qualidade do material, que ganhou resistência e coesão, quanto do ponto de vista do apelo visual, que o torna aplicável na área de moda. Empregando o conceito do eco-design, agregador do reuso consciente à criação de um produto esteticamente funcional, Zonatti produziu ainda peças de bijuteria para validar o estudo. Mas destacou que as possibilidades de aplicação do produto não se restringem ao artesanato. A bibliografia disponível sobre materiais compósitos, praticamente segmentada na área de engenharia, foca numa análise meramente química e mecânica. Por isso também a pesquisa inova, não somente por comprovar o que se propõe, mas pela busca de reunir moda (estética) e têxtil (função), com cunho sustentável. Publicado por Erivaldo Cavalcanti em 12 junho 2013 no site Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry

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